Rotary e-Club 4651

O Rotary e-Clube do Distrito 4651

Luto

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Conhecemos Dona Sônia em Cuiabá, numa palestra que fomos fazer  na Conferência Distrital do Rotary, e nos reencontramos em Gramado RS, ultima vez que a vi, quando ela foi empossada na Coordenadoria Nacional das Casas da Amizade, entidade ligada ao Rotary Clube que presta um trabalho voluntário extraordinário. Um trágico acidente no oeste de SC a tirou de nosso convívio físico aos 64 anos, quando se deslocava para pegar um voo de retorno à Cuiabá, após participar de uma conferência em Piratuba SC, acompanhada do esposo, o ex-Governador Serafim Carvalho de Melo, seu fiel companheiro em todos os momentos da vida . Mas Dona Sônia não morreu. Como dizia o poeta Pablo Neruda: “ Quem morre?  Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos. Quem não muda de marca. Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Então Dona Sônia não morreu. Os anjos a esperam. Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram. Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: Já se foi. Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha, quando estava próximo de nós. Continua tão capaz, quanto antes, de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: Já se foi, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: Lá vem o veleiro. Assim é a morte. Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: Já se foi. Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado. Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: Já se foi, no mais Além, outro alguém dirá feliz: Já está chegando. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena. A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro, partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajores da Imortalidade que somos todos nós. E aqui, Dona Sônia, continuaremos aqui, tentando seguir na mesma trilha do bem que sempre pautou.
Luiz Antônio Pharol, amigo do Governador Serafim e de Dona Sônia, e parceiro do Rotary Clube. www.pharol-rh.com.br

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