Rotary e-Club 4651

O Rotary e-Clube do Distrito 4651

DOAÇÃO BILIONÁRIA PARA O MUNDO

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Autor: Wan Yu Chih*

 

O que leva uma pessoa muito rica a doar sua fortuna, ainda em vida, à sociedade? Os americanos têm uma longa tradição nisso. Cornelius Vanderbilt fundou a Universidade Vanderbilt em 1873. Andrew Carnegie fundou 3 mil bibliotecas públicas nos EUA, Canadá e Reino Unido.  John Rockfeller fundou a Universidade de Chicago em 1890 e doou a sua fortuna à Fundação Rockfeller em 1913. Henry Ford criou a Fundação Ford em 1936.

 

É sabido que as doações milionárias, tão freqüentes nos EUA, são motivadas, também, pelos benefícios fiscais. Mas certamente existem os propósitos nobres, principalmente quando tudo que se tem é doado aos outros. Por sua vez, não é papel de uma fundação filantrópica doar todo o seu dinheiro, pois assim elas deixariam de existir. As fortunas doadas geralmente são constituídas por ações de empresas controladas pelos fundadores e investimentos financeiros. Para que possam realizar uma missão de longo prazo, as fundações têm que manter o seu capital investido, utilizando somente os rendimentos financeiros e recursos provenientes de novas doações.

 

TAREFA DIFÍCIL

Os rotarianos devem se lembrar da crise detonada pelas hipotecas imobiliárias, nos EUA, em 2008. Em conseqüência da drástica queda do valor dos investimentos da Fundação Rotary, reduziu-se sobremaneira a disponibilidade de recursos para os projetos do Rotary International. Por lei, toda fundação filantrópica americana é obrigada a dispender anualmente, em projetos, no mínimo 5% do valor do patrimônio. Destinar, de forma inteligente, uma quantia elevada de recursos por ano é uma tarefa extremamente difícil. Do mesmo modo, requer-se competência para gerir os investimentos e fazer o “fund-raising” (obtenção de doações), para manter o patrimônio equilibrado e, se possível, em crescimento.

 

“Um acidente aéreo em algum canto do mundo chama mais a atenção das pessoas, que milhares de crianças morrendo diariamente por doenças evitáveis”.

 

APOSENTADORIA PRECOCE

Bill Gates anunciou, em 2008, aos 52 anos de idade, que estava se retirando das suas funções executivas na Microsoft, para se dedicar à filantropia por meio da Fundação Bill e Melinda Gates – desde então, a maior fundação norte-americana (e do mundo), com um patrimônio de US$ 34 bilhões. Gates já havia declarado que destinaria toda sua fortuna pessoal à caridade. Gates afirma que as pessoas não estão percebendo o tamanho da crise que existe no planeta. Crianças estão morrendo em decorrência de doenças há muito tempo erradicadas nos Países ocidentais, e que poderiam ser evitadas com vacinas de baixíssimo custo. “Um acidente aéreo em algum canto do mundo chama mais a atenção das pessoas, que milhares de crianças morrendo diariamente por doenças totalmente evitáveis”, segundo ele.

 

O americano Warren Buffett foi o homem mais rico do mundo em 2008, é o principal acionista da Berkshire Hathaway, conglomerado de empresas que ele construiu durante cinco décadas, e é um importante acionista de grandes empresas como a Coca-Cola e a Kraft Foods. Em 1991, Warren Buffett conheceu Bill Gates e sua esposa Melinda, com quem desenvolveu laços de grande amizade e admiração. Buffett é conhecido pelos seus hábitos simples, que contrastam com o tamanho da sua fortuna. Hoje com 80 anos de idade, mora na mesma casa que ele comprou quando se casou em 1958, dirige o seu próprio carro que adquiriu há 10 anos atrás, não toma álcool, e prefere comer hambúrguer com coca-cola a comidas sofisticadas. Buffett nunca havia se dado ao luxo de viajar a turismo, e foi com os Gates que ele conheceu a China, o Egito e a África.

 

“A fortuna que um homem conseguiu acumular é um cheque que deve ser descontado pela sociedade”

 

GESTO INÉDITO

Em 2006, num gesto inédito na história da filantropia, Buffett resolveu destinar 85% da sua fortuna de 37 bilhões de dólares a um grupo de fundações beneficentes. Cinco de cada seis ações foram doadas à Fundação Gates. Foi o casamento histórico de duas grandes fortunas em benefício do mundo. O restante, cerca de US$ 6 bilhões, ao invés de doar aos filhos e esposa, doou às fundações individuais que eles já possuíam. Segundo Buffett, “a fortuna que um homem conseguiu acumular é um cheque que deve ser descontado pela sociedade. Eu não sou entusiasta pelo enriquecimento por dinastia, quando existem 6 bilhões de pessoas no planeta que tiveram menos condições que nós, que poderão se beneficiar com a doação”. Não haverá prédios, bibliotecas, escolas ou hospitais com o nome de Warren Buffett. Nenhum grande doador havia feito isso antes. Os efeitos deste gesto foram imediatos e significativos. Várias personalidades seguiram o exemplo de Buffett, entre elas o mexicano Carlos Slim (hoje, o homem mais rico do mundo), que anunciou que irá destinar, ainda em vida, toda sua fortuna à filantropia.

 

Criada em 1994, a Fundação Gates vem desempenhando um papel importante no mundo da filantropia, focando seus esforços nas áreas da saúde e educação.

 

Esta abordagem difere daquela tradicionalmente adotada pelas grandes fundações que atendem a milhares de pedidos, doando somas fragmentadas de recursos. Bill e Melinda afirmam terem sido inspirados por Buffett em seu pensamento de que retornar o dinheiro à sociedade. Foi, ainda, com Warren Buffett que eles aprenderam que uma pessoa muito rica deve deixar aos filhos “o suficiente para eles fazerem alguma coisa, mas não o suficiente para eles não fazerem nada”. Ainda, segundo eles, “Decidimos não passar a nossa fortuna aos nossos filhos. Queremos devolvê-la à sociedade. Queremos fazer uma contribuição positiva ao mundo”.

 

ENDPOLIONOW

A notícia da oferta de Bill Gates, em 2009, de US$ 350 milhões para a Campanha EndPolioNow do Rotary, trouxe grande alento aos rotarianos. Afinal, além da importância dessa quantia, o Rotary passou a ter um importante garoto propaganda para a sua causa. Gates revelou que o interesse em filantropia vem desde a sua infância, vendo seus pais atuando como voluntários. Seu pai, William Gates Sr., foi Rotariano. O avô de Warren Buffett e o próprio Buffett também foram Rotarianos.

 

*O autor é sócio do RC Florianópolis. Distrito 4651.

 

10 de janeiro de 2011.

 

 

 

 

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